Episódio 01 - "Partindo do zero” ou "Será que tem gente interessada em ler isso?”
Estar como diretor da Escola de Osteopatia de Madrid, me obriga a dividir o tempo entre consultório, aulas e gestão da escola.
O consultório é meu momento mágico, não só por ver o que acontece com os pacientes durante o atendimento e os resultados depois, mas também por ser meu momento de introspecção e praticamente meditação. Eu falo pouco durante o atendimento e, para poder estar com minha atenção ao máximo faço um trabalho respiratório durante e exercito a presença. Várias termino o dia com mais disposição e energia do que comecei e sinceramente seria possível fazer muitas crônicas só do que acontece nesses atendimentos, mas não é o objetivo desta e portanto, paro por aqui com esse tema.
Quando estou de professor as sensações e a forma de estar é totalmente diferente. Aprendi nessa situação também a exercitar a presença, abrindo-me para o grupo e desenvolvendo a aula à partir deles e para eles. Foi todo um aprendizado para chegar nisso que acho que foi fruto do meu mestrado em educação, mesclado com meu MBA em gestão e marketing e, principalmente, anos de experiência onde cometi tantos erros que foi impossível não aprender com eles. Rsrsrsrsrsrs
Durante meus anos de formação em fisioterapia e de osteopatia nunca pensei em ser um “homem de negócios”, na verdade estava muito mais para viver em uma comunidade alternativa. Tinha o cabelo no meio das costas, andava de calça de moleton, descalço e achava que dinheiro era uma ficção criada para nos aprisionar. (pensando bem, às vezes ainda me vem a mesma sensação kkkk).
Bom, o fato é que o interesse pela gestão veio mais ou menos pelo mesmo motivo que acaba me motivando a quase tudo o que faço na vida, que é o desafio. Essa coisa de começar algo do zero e vê-la frutificar é quase a mesma coisa que jogar WAR, ou qualquer outro jogo de estratégia, apesar das consequências poderem ser desastrosas às vezes. O digo por experiência. Normalmente todos olham para o que deu certo, mas não fazem idéia do tanto de outras deram errado e o tanto de trabalho para essas darem certo. O grande problema é que acabamos escolhendo muitas vezes os desafios errados, que satisfazem mais ao ego que ao mundo, ainda bem que com o tempo amadurecemos e escolhemos desafios melhores.
Escrever essas crônicas são um novo desafio, o qual em breve saberei se teve algum sentido ou não.
Muitas coisas tomam em nossa vida rumos que não esperamos e esse é um desses rumos inesperados, mas tudo bem, vamos lá, vamos ver que aprendizados isso pode trazer.
Cada vez que sento para escrever uma crônica o processo que acontece é muito interessante, de uma certa me lembra quando estou atendendo aos pacientes, é como se de alguma forma entrasse mais em contato comigo mesmo, com as memórias que tenho mentais, emocionais corporais e à partir daí a coisa começa a acontecer, seja com um tratamento seja com o texto. Em alguns momentos parece que sou quase um observador, que tanto o atendimento quanto o escrever ganham vida e fico aqui, quieto assistindo isso acontecer. Esse texto por exemplo, quando me sentei pra escrever foi para contar da minha “jornada" à Espanha esse ano para o encontro de diretores, coordenadores e professores, mas agora já me dei conta que isso terá que ficar para outra crônica, pois outro tema acabou surgindo em seu lugar.
Minha forma de escrever sempre foi muito estruturada, pensava nos tópicos principais, colocáva-os em ordem e passava a desenvolver cada um dos tópicos recheando com o que fazia falta para dar coerência ao texto.
Desde que lancei as “Crônicas Olímpicas” tudo foi diferente! Me sento na frente do computador e aciono as memórias da forma que já contei e a coisa vai saindo, praticamente faço a revisão só da digitação e do português, que eu sei que assassino vez ou outra rsrsrsrsrs
Pra falar a verdade eu nem volto a ler muito depois pra não ficar tentado a mudar o texto na forma como foi aparecendo.
Em muitos momentos, ter várias atividades ao mesmo tempo acaba por gerar certos sacrifícios. Esses sacrifícios vão desde noites com menos horas de sono do que eu gostaria, ou precisaria, até o que me parece ainda mais importante, menos horas de convivência com minha família.
Claro que quando fazemos esses sacrifícios no presente, contamos com uma recuperação disso com juros no futuro, ou seja, conto que no futuro eu possa ter mais tempo e mais qualidade. Acontece que várias coisas podem ocorrer nesse meio tempo, eu posso morrer, meus filhos podem já ter passado da idade de querer estar e viajar com os pais, ou alguma desventura pode fazer que esse tempo nunca chegue.
Às vezes vivemos demais para o futuro!!! Pensando nisso estou me propondo um novo desafio, ter tempo e qualidade agora mesmo.
Nessa linha mais uma vez a importância dessas crônicas, que com que eu olhe para mim mesmo e para o mundo de um jeito diferente, é um tempo gasto comigo mesmo para meu aprendizado e crescimento e, que se tudo der certo, pode servir de ajuda para outras pessoas também.
Nas próximas crônicas tentarei trazer alguns casos clínicos que me fizeram pensar ou que foram marcantes, momentos cômicos e outros profundos em sala de aula, estórias de viagem, assim como dicas das mesmas e quem sabe até algumas estórias de outros osteopatas que valha a pena dividir.
Afinal, se isso tudo que for surgindo não estiver sendo proveitoso pra ninguém ou trazendo um pouco de diversão não vale a pena continuar.
Antes de terminar, agradecer à Claudia Pellenz que foi a maior incentivadora da criação dessa série.
Obrigado Claudia e espero que não seja a única leitora!!! kkkkkkkkkkkkk
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